quinta-feira, março 10, 2005
O mercador português
Estou na serra, em uma estrada entre as montanhas. À minha direita, acima, vejo uma mulher cair, com sua asa delta, sobre uma cachoeira. As águas desta cachoeira sobem a montanha, em vez de descerem. Na verdade a água quase não se move, apenas ondula, e eu vejo uma mancha vermelha e azul - a mulher e sua asa - dentro d'água. Surge um helicóptero sobrevoando a cachoeira. Eu estou nele agora. Vamos içar a mulher com um cabo. Conseguimos tirá-la dali. Ela desce do helicóptero no topo do morro e transforma-se em um mercador português, parece-me. Veste calças de veludo escuro, botas, camisa branca bordada, capa de couro e um chapéu emplumado. O acidente com a asa delta leva a uma descoberta. Lá um grupo familiar, composto de homens, mulheres e crianças, todos com cabeça em forma de paralelepípedo e topete ruivo alaranjado, brincam, correm e jogam bola. A mulher então diz para o grupo que quer comprar o terreno para construir nele alguma coisa. Eles se revoltam com a proposta e a expulsam dali. Ela foge, correndo morro abaixo. Eles a perseguem e atiram nela com uma arma cujos petardos, vejo de perto, giram em câmara lenta. São pequenos cubos plásticos cinzas, do tamanho de um dado. Há neles estranhos símbolos gravados e em seu conteúdo estão guardadas "coisas perigosas".