sábado, maio 03, 2008
Sonho
era uma sala. tudo muito branco. as pessoas sentavam em duplas. menos eu. uma mulher falava sobre arte. as pessoas prestavam atenção. menos eu. de repente alguém simula um suicídio pela janela. todos riem. o homem da simulação é expulso. a mulher que fala sobre arte não acha graça alguma. um homem entra no meio da explanação sobre o ofício criativo dos artistas. ele senta do meu lado. agora eu também estou em dupla. ele veste terno sem gravata. ele me conhece de alguma forma. eu não o conheço mas sei a idade dele. o homem de terno frequenta todas as palestras comigo. sempre de terno sem gravata. terno velho. tons escuros. cinza chumbo com azul marinho. preto com verde musgo. ele anda amarrotado e não parece se importar. a mulher que fala sobre arte sugere um encontro numa feira de artesanatos. sigo numa calçada entre as barracas e desconheço a rua onde estou. tenho o punho da mão direita travado. não consigo mover a minha mão - que está rígida apontando para o chão. avisto a mulher e me aproximo, ela especula sobre a criatividade humana, sobre os paninhos bordados, as cerâmicas, os quadros de frutas e paisagens. eu penso que tudo aquilo é uma bobagem. eu não falo. e não sou muda. o homem dos ternos escuros sem gravata estava sentado na longa mesa onde a mulher falava bobagens sobre a arte. todos estavam com suas duplas. faltava eu com o homem do terno. ele havia guardado um lugar para mim do lado dele. sentei. ele pegou minha mão e destravou meu pulso. me sorriu. sussurrou alguma coisa no meu ouvido. eu sorri de volta. enlaçamos os braços. eu deitei a cabeça no ombo dele e ele me beijou o rosto perto do meu olho esquerdo. acordei.
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