Despeço-me de minha mãe e minha irmã e seguimos em direções opostas da calçada. Elas começam a correr atrás de um ônibus que segue para o ponto.
Ouço o freio e me viro: um carro acerta minha irmã na pista e a arrasta até o meio-fio.
Corro. Ela está no chão, tentando se levantar. Grito seu nome e começo a erguê-la, deseperado.
Ela olha pra mim e não me vê.
Chama por minha mãe, que não vem (olho em volta e não a vejo).
"Mãe...", sussurra minha irmã, enquanto me olha e sorri, um sorriso de paz e dor. "Estou indo pro pub, mãe..."
Ela repousa a cabeça no meu peito e fecha os olhos. Eu começo a urrar.
terça-feira, abril 11, 2006
entro na sala, lá dentro há mais dois ou três alunos. é a aula de interpretação teatral. escolho uma mesa ao fundo, voltada para a parede. sento, abro meu caderno e começo a anotar o sonho que tive na noite anterior: "três homens velhos estão num bar de velhos, conversando. eles estão lembrando de umas filipetas que distribuíam quando eles eram adolescentes, filipetas que falavam das vantagens do beijo: beijo é bom pra saúde, beijos com propriedades medicinais, beijo é bom para toda a família (numa das filipetas, verde, há a foto de um casal se pegando dentro de um carro). nisso chega um quarto homem, amigo dos outros que conversavam, e faz uma cara triste, confessando que nunca soube beijar direito. ele diz isso e sai da mesa, cabisbaixo. vai em direção à mesa de bilhar e começa a jogar sozinho. os outros três cochicham rapidamente e vão atrás dele. 'olha só', diz um deles, 'ainda dá tempo de você consertar isso!'. e saem os quatro, atrás de mulheres".
nisso o professor de teatro chega até a minha mesa e diz baixinho, numa espécie de bronca simpática: "já que cê tá aqui, não é melhor virar pra frente e acompanhar a aula?" eu viro minha mesa em direção ao quadro negro, passo os olhos na turma e tenho o estalo: "merda! esqueci que larguei essa aula há um mês. larguei pela aula de canto!."
nisso o professor de teatro chega até a minha mesa e diz baixinho, numa espécie de bronca simpática: "já que cê tá aqui, não é melhor virar pra frente e acompanhar a aula?" eu viro minha mesa em direção ao quadro negro, passo os olhos na turma e tenho o estalo: "merda! esqueci que larguei essa aula há um mês. larguei pela aula de canto!."
segunda-feira, abril 10, 2006
Across the room (again)
O rato sai de trás do armário, atravessa correndo o quarto e se enfia embaixo do baú entalhado.
"Como é que ele chegou até aqui, no quarto andar?"
"Como é que ele chegou até aqui, no quarto andar?"
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