Então, na mesa, entre outras pessoas, ela me diz: - Tenho que te contar um segredo... é um pequeno problema nas mãos... tenho uma pequena mão ligada a uma das minhas mãos... quero dizer, afinal, tenho dez dedos nessa mesma mão.... Ela mostra a mão que contém uma outra pequena mão. Elas se articulam em várias direções... o minúsculo pulso gira, independente, e os pequenos dedos se retorcem... Ela me olha, sorri e diz: - Fofo isso, né?
quinta-feira, abril 28, 2005
Mão dupla
Então, na mesa, entre outras pessoas, ela me diz: - Tenho que te contar um segredo... é um pequeno problema nas mãos... tenho uma pequena mão ligada a uma das minhas mãos... quero dizer, afinal, tenho dez dedos nessa mesma mão.... Ela mostra a mão que contém uma outra pequena mão. Elas se articulam em várias direções... o minúsculo pulso gira, independente, e os pequenos dedos se retorcem... Ela me olha, sorri e diz: - Fofo isso, né?
segunda-feira, abril 18, 2005
Beijos Roubados
Recebo um oi muito peculiar do belga, dono da ong em que estagiei. Ele me abraça com aquele sorriso estranho e, em vez de me dar dois estalos nas bochecas, me arranca um beijo suculento de língua, na sala que estava vazia. Fico assustada e nem sei o que pensar direito. Acho aquilo tudo esplêndido e, espantada, continuo a beijá-lo loucamente. Ficamos por aí. Saio correndo pela rua para chegar ao aeorporto a tempo de pegar o avião, conseguido na última hora. Nada demais durante o vôo, a não ser a grande expectativa que, como o habitual, faz o coração palpitar desesperadamente, como se fosse pular pela boca. Um terror. Chego ao local em que deveria estar há mais de uma hora. É uma loja de perfumes. Dessas bem bonitas, cleans e com um requinte moderno. Sou recebida por uma belíssima mulher, que tem os olhos maquiados com um azul incrível. Digo oi e ela faz as honras da casa me recebendo com um beijo macio, soboros e embriagante. Não vejo por quê não e passo a adorar aquele beijo de mulher. Língua macia, controlada. Lábios pequenos e carnudos. Tempo de abertura certo e sentimento trocado enquanto as salivas se misturam. Quando ela percebe que gosto, tenta se recompor e pára. Me abraça e pede que eu entre na loja. Para ver a grande novidade da noite. Para isso...
terça-feira, abril 12, 2005
O quintal da casa da minha avó está coberto de cobras. Um homem se abaixa e encosta em uma delas, que se enrola com força no braço dele. O homem olha o braço com calma e caminha até uma goiabeira. Encosta o braço com a cobra em um dos galhos, e a cobra passa do braço à goiabeira, se enroscando nela com força.
uma festa rola lá embaixo. eu digo a alguém que preciso subir pra trocar de roupa. subo uma apertada escadinha de caracol q me leva aonde eu preciso. chego lá. encontro um rapaz. nunca o tinha visto, mas sabia que ele era conhecido. um cara bonito, daqueles q combinam a calça com o sapato. não é necessariamente o meu tipo de homem. não era... pois começamos a nos agarrar e quando dei por mim já estávamos transando rápida e loucamente. não sei o que aconteceu, mas junto com o gozo saiu a última gota de qualquer sentimento daquele homem. ficou frio. o chão sujo. fiz menção para que ele pegasse um pano e limpasse o chão. ele já se esquivava. limpei o chão.
sexta-feira, abril 08, 2005
Trechos
Temos muita fome. Minha namorada diz que vai procurar comida e segue numa direção. Vou em outra direção procurar comida, também. Voltamos a nos encontrar. Ela mostra satisfeita o que trouxe para o almoço: dois braços decepados logo abaixo do cotovelo. Uma das mãos não tem um dos dedos mínimos. Ela me diz que podemos espetá-los e assar numa fogueira.
Antigos colegas de trabalho, velhos amigos... Estamos num deserto. É necessário fazer uma sinalização especial em postes que estão fincados na areia, aqui e ali, e que servem para indicar áreas onde se pode encontrar água, algum conforto, comunicação, etc. Eu sugiro envolver parte dos postes com adesivos pretos e amarelos reflexivos. Todos discordam da solução e afastam-se de mim chorando e reclamando em uníssono que "quebra a proporção! quebra a proporção! quebra a proporção!..."
Faculdade de arquitetura. Chego atrasado na aula. Para meu desespero descubro que é dia de prova e eu nem sei a matéria... De repente emputeço e digo pra mim mesmo que aquilo é um absurdo pois não estou mais fazendo aquela faculdade... Minha vida é outra agora. Olho pela janela e vejo aquele céu vermelho das tardes no Fundão. Estou atrasado, é melhor me apressar. Atravesso a janela e saio de lá voando. Vejo do alto o estacionamento, os carros... as pessoas abaixo olham para mim, assombradas: como é que ele faz isso?
Estamos na sala de jantar na casa de meus primos, onde já morei. Digo a um deles que ele deveria criar uma rádio pirata para divulgar sua vasta coleção de heavy metal e rock progressivo. Digo a ele que hoje em dia não é preciso muito equipamento para transmitir em FM. Volto pro meu quarto satisfeito com meu incentivo. Tenho vários e diferentes anéis nos dedos. Entro no quarto e encontro todo o submundo alternativo dessa terra. Souberam dos meus ideais e se reuniram lá. Bêbados, malucos, poetas, easy riders, vagabundos... Fumam, bebem, jogam sinuca e baralho. Parecem aqueles seres perdidos na vida. A turma de Bukowski e Kerouac em peso... Meu quarto parece um daqueles cantos de bar pé-sujo de filme americano. Encontro uma amiga entre eles. Ela pinta um quadro e têm uma lágrima negra que desce sinuosamente no rosto.
Agora é no antigo atelier. Encontro uma turma de amigos que nunca pertenceram a aquele lugar. Eles descascaram e esculpiram as paredes internas da casa de tal forma, que criaram camadas transparentes, tais como caixas de acrílico que se sobrepõem. Estão felizes com a criação. Eu digo a eles: Ah, vocês são discípulos de Venoza...
Antigos colegas de trabalho, velhos amigos... Estamos num deserto. É necessário fazer uma sinalização especial em postes que estão fincados na areia, aqui e ali, e que servem para indicar áreas onde se pode encontrar água, algum conforto, comunicação, etc. Eu sugiro envolver parte dos postes com adesivos pretos e amarelos reflexivos. Todos discordam da solução e afastam-se de mim chorando e reclamando em uníssono que "quebra a proporção! quebra a proporção! quebra a proporção!..."
Faculdade de arquitetura. Chego atrasado na aula. Para meu desespero descubro que é dia de prova e eu nem sei a matéria... De repente emputeço e digo pra mim mesmo que aquilo é um absurdo pois não estou mais fazendo aquela faculdade... Minha vida é outra agora. Olho pela janela e vejo aquele céu vermelho das tardes no Fundão. Estou atrasado, é melhor me apressar. Atravesso a janela e saio de lá voando. Vejo do alto o estacionamento, os carros... as pessoas abaixo olham para mim, assombradas: como é que ele faz isso?
Estamos na sala de jantar na casa de meus primos, onde já morei. Digo a um deles que ele deveria criar uma rádio pirata para divulgar sua vasta coleção de heavy metal e rock progressivo. Digo a ele que hoje em dia não é preciso muito equipamento para transmitir em FM. Volto pro meu quarto satisfeito com meu incentivo. Tenho vários e diferentes anéis nos dedos. Entro no quarto e encontro todo o submundo alternativo dessa terra. Souberam dos meus ideais e se reuniram lá. Bêbados, malucos, poetas, easy riders, vagabundos... Fumam, bebem, jogam sinuca e baralho. Parecem aqueles seres perdidos na vida. A turma de Bukowski e Kerouac em peso... Meu quarto parece um daqueles cantos de bar pé-sujo de filme americano. Encontro uma amiga entre eles. Ela pinta um quadro e têm uma lágrima negra que desce sinuosamente no rosto.
Agora é no antigo atelier. Encontro uma turma de amigos que nunca pertenceram a aquele lugar. Eles descascaram e esculpiram as paredes internas da casa de tal forma, que criaram camadas transparentes, tais como caixas de acrílico que se sobrepõem. Estão felizes com a criação. Eu digo a eles: Ah, vocês são discípulos de Venoza...
terça-feira, abril 05, 2005
Nos dois lugares
Fumo um, já estou atrasada e tenho que pegar um ônibus, desses novos com catraca eletrônica, para encontrar a ruiva de São Paulo no RioSul. O ônibus, como de costume, segue pela Bernadino de Campos alucinadamente. O motorista fuma um cigarro e conversa alto com o cobrador. Na curva próximo à Álvaro Ramos, percebo o quanto estou chapada e lembro-me de onde estou. É no Rio, sem dúvida. Mas tudo está tão confuso... Quase bato a cabeça na janela que não abre embaixo quando o ônibus laranja faz o retorno. Para onde?, me pergunto. Lembro que vou encontrar aquele amor da vida e não a ruiva de São Paulo. Ah, de ruiva tem também a moça de Niterói, que adora comprar na Augusta. Ai, os alucinógenos trazem isso mesmo: Uma confusão desesperadora e sem fim, que você nunca sabe como sair, mas mantém a calma até a onda passar. Antes mesmo de chegar no shopping, a colega de Padre Miguel me mostra onde fica a pequena editora da Presidente Vargas: na João Moura, numa casa bem de esquina. Confuso. Fico feliz em saber onde é, e olho feliz mais uma vez para o céu sempre cinza, sempre da mesma cor, mudando só os tons com o passar das horas do dia.Vejo ele lindo e majestoso, indo ao meu encontro, sem saber que está sendo observado. Segue pelo Aterro até chegar no BH, da Augusta. Acelero o passo para acabar com a brincadeira de ver sem ser vista e ele vira mostrando o lindo bigode. Sorrio e ouço um alarme de celular real qualquer.
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