Estou na praia, qualquer praia, e faz calor. Quero andar pela praia e descobrir onde estou, que praia é essa, mas o calor é mais forte e não consigo levantar da areia. Na beira do mar, um casal anda devagar. Eles não parecem sentir calor, nem cansaço. E sabem onde estão. Eu não. Acordo com vontade de viajar.
sexta-feira, março 18, 2005
Estou na praia, qualquer praia, e faz calor. Quero andar pela praia e descobrir onde estou, que praia é essa, mas o calor é mais forte e não consigo levantar da areia. Na beira do mar, um casal anda devagar. Eles não parecem sentir calor, nem cansaço. E sabem onde estão. Eu não. Acordo com vontade de viajar.
quinta-feira, março 17, 2005
Cor de café com leite
dois em pé. Entre a gente, uma janela (dessas de alumínio), fechada, através
da qual conversamos. "Ponha a mão no meu peito", ela me diz. Eu coloco.
"Não: sobre o meu peito", ela corrige, levantando a camisa e mostrando os
seios.
Minhas mãos e braços travam, ficam paralizadas, como nos sonhos em que
queremos gritar e correr mas não conseguimos (apesar disso, fico de pau duro
com aqueles peitos). "Viu?", eu falo pra ela. "É assim que acontece com
todos os meus desejos: não sei lidar com eles".
Ela então sai de onde está e vem para o meu lado. Segura as minhas mãos
e as olha, dizendo: "Você tem que aprender a mexer melhor com a vida..."
De uma panela, a mulher retira uma bola feita com uma espécie de massa,
quente e cor de café com leite. Parece aquelas bolas de látex que os
seringueiros fazem (tem o tamanho de um lençol embolado).
A mulher manipula aquilo um pouco, como massa de pão, e passa às minhas
mãos. Começo a brincar com a bola de massa, jogando-a de uma mão à outra,
enfiando nela os dedos, experimentando a textura, o calor, até deixar de
pensar em tudo: só existimos eu e o meu novo brinquedo.
"Agora tenta de novo", diz a mulher, já de volta ao outro lado da
janela, que agora está aberta. Ela tem um dos seios do lado de fora da
camisa. Largo a bola de massa e, lentamente, vou levando minha mão até ela,
toco-lhe o peito, aperto, corro o mamilo entre dois dedos.
Ela dá um passo atrás, ofegante e com os olhos fechados (está
excitada). "Viu só?", ela diz, enquanto sorri e abaixa a blusa.
De fora
Estávamos em uma dessas datas de festividades.
Não sei bem quem estava no sonho. Lembro que minha mãe estava. E, incrivelmente, conseguia nutrir por ela um sentimento escroto, de raiva, ódio e vergonha. Do mesmo tipo que eu sentia quando eu tinha 13 anos e ela namorava um cara de 18. Bizarro.
Uma série de ações aconteceu e só depois me toquei que estava no infeliz trabalho que consegui no começo da minha estada aqui. Era naquele restaurante empetecado e over, que só mesmo gente daqui para gostar de gastar tanto dinheiro com tão pouco conteúdo. A comida de lá sempre foi quase ótima. Só que dessa vez era nojenta.
De repente, lembro do que venho sentindo nesses dias estranhos enquanto estou acordada, e quando viro para o lado vejo meu namorado alegre, sóbrio, com um cara lava, consciente e (in)feliz.
Ele estava com alguém. Não era eu, claro. Mas era alguém que eu nunca tinha visto pessoalmente... Adivinhem só... era Cléo Pires, a musa brasileira que ele adora não sei por quê.
De repente a possível comemoração comportada da data se torna um auê, tipo grego, ou seiláoquê.
Minha mãe começa a dançar com Glória Pires como se tivesse 15 anos, meu namorado acha tudo muito sempre divertido e eu passo a odiar tudo.
Aquele lugar em que estava, meu ex-chefe, meus antigos colegas de trabalho, uma mãe que não é possível que seja a minha, Cléo, Glória e o babaca que se tornou meu namorado diante de bundas, peitos e rostos bonitos.
Saio dali deixando meu drink pela metade, com um cigarro novo na boca e a estranha sensação de que tudo será diferente a partir dali. Sem ninguém.
quinta-feira, março 10, 2005
O mercador português
A hiena
Estamos em uma casa no campo. Vejo uma arara vermelha pousada em uma árvore e anuncio a sua presença. Agora um tucano. Depois um inhambu, escuro, de bico comprido. Estou animado com aquela fauna. Surgem meus dois gatos, eles têm em companhia seus filhotes: uma meia dúzia de cachorrinhos cinzas. Todos correm para um terreno baldio próximo. Nesse momento surge um grupo de hienas. O terreno baldio agora é uma savana africana. Temo pelos bichanos e vou em seu socorro. Todas as hienas fogem, mas uma delas se esconde dentro de uma casa, em estilo moderno, anos sessenta: concreto aparente, grandes painéis envidraçados, pilares cilíndricos, móveis de jacarandá... A hiena sai de dentro da casa usando uma máscara de ferro de gladiador e me enfrenta. Consigo alcançar um perfil de metal, afio uma ponta e faço uma lança. A hiena avança em minha direção... tento espetá-la, mas ela desvia e morde a minha perna. De novo, a hiena em posição de ataque, avança em minha direção e... záááásssss! Atravesso a sua barriga com a lança. Olho a lança atravessando o animal, morto. Espeto a lança no terreno para preparar um churrasco, de hiena.
O banquete
ele e a mulher nos oferecem um banquete. Parece que o lugar dele (o do
chefe) está ameaçado na empresa (às vezes o chefe também tem
chefes...), e o jantar é a última oportunidade dele para mostrar-se
amistoso e generoso com a equipe, onde tem sérios problemas de
relacionamento com vários colaboradores.
O banquete, portanto, é uma cartada final para ele ficar no emprego.
O chefe está sentado na cabeceira, com a mulher à direita. As
demais pessoas se espalham pelas quase vinte cadeiras. Na outra
cabeceira, euzinho. O serviço começa, as pessoas interrompem a
conversa, o único barulho do lugar passa a ser o de talheres e copos,
em suave atrito com o mundo.
"Mas que vinho de merda!", diz uma colega minha. "É claro que você
ia servir esse vinho de merda pra gente, seu miserável! Aposto que tem
coisa bem melhor na tua adega, mas você acha que a gente merece isso.
Tem mesmo é que ser demitido". Minha colega joga o guardanapo sobre a
mesa e sai. Depois de um espanto geral, a atitude ganha adesões, e
todos se mandam. Meu chefe e a mulher estão pálidos. "É. Agora já
era...", ele diz à esposa, dando-lhe um beijinho na testa e saindo com
ela da sala de jantar, de mãos dadas.
Estou sozinho na mesa. "Dane-se!", eu penso, enquanto vou enchendo
novamente o meu prato, que delícia de comida.
sonho de 07 para 08/03
Sem medo, vamoslá...
Mal fechei os olhos, caí no underground de mais um sonho sem nexo e ao mesmo tempo com muito material para ser destrinchado em algumas sessões de análise.
Não eram mais os rotineiros tiroteios na favela, dos quais vinha sendo vítima nas últimas noites de pesadelo. Também não se tratava de uma morte diferenciada e sentida por mim. Era, de fato, um sonho...
E que sonho. Talvez por causa das privações dos últimos tempos, sonhei com coisas realmente boas, se é que alguém pode definir isso.
Estava em uma casa enorme. Maior que qualquer outra em que eu já tenha dormido. Maior que a dos pais do Carlos, na Gávea, maior da qual eu morava na infância com toda a família, maior do que tudo.
E como sempre, não sabia direito quem estava comigo, quem não estava e quem teoricamente era para estar. Também não estava muito definido no sonho o que tinha me levado àquela situação, àquela casa, com aquelas pessoas.
O fato é que nessa tal mansão estavam todos os que conheci nesse último ano. Todas as pessoas do Rio com quem já tive ótimos momentos, e até as que eu mal cheguei a conhecer. Por sorte não estava ninguém que me desagrade. Mas, curiosamente, não estava ninguém com quem eu fosse muito íntimo, tipo o meu namorado. Sabia da presença do Carlos, mas ela não tinha tanto peso assim e raramente eu cruzava com o rosto dele ou até com a sensação de ter ele por perto.
Mais nitidamente, lembro-me que estava na casa um grande amigo, Cid, junto com Fábio e seus grandes amigos que eu considero muito e já até adoro. Acho que era o Marcelo e namorada, o tal do Dudu que eu vi uma única vez na vida, amigas do Fábio da época de faculdade, a francesa do Cid, e a maior pegadinha de todos os tempos, o tal do Nuno, ou Bruno, ou Virgílio, what ever.
A mansão à la “The Dreamers”, do Bertolucci, estava repleta das melhores coisas do mundo. Ou o que, para a minha micro noção de mundo, são as melhores coisas do mundo. Estou falando de comida, claro. Queijos, vinhos, chocolates e tantas coisas boas que mordíamos um pedaço qualquer e jogávamos o resto pelo chão.
Cada um fazia uma atividade diferente na casa. Uns viam televisão, outros bebiam e conversavam, outros rondavam pela casa, mas nada muito intrigante acontecia.
Lembro-me apenas no final – sim, porque sonho tem final, já que essa foi a última sensação que tive antes de abrir os olhos para olhar o despertador – de estar bem à la “Os Sonhadores”, sensualíssima, amorosa e nua com um dos amigos do Fábio e do Cid, vendo televisão, tomando champanhe e dando risadas. Mas não era nada muito sexual. Apenas vontade ficar perto, trocar carinho e sentir.
terça-feira, março 01, 2005
Espanha-sítio-Espanha
Mousse de Dollar
"Não perca as emoções finais de..."
Cascudos em James Bond
Buracos e Túneis
Saio da casa e agora estou na rua, que fica numa espécie de subúrbio com praia – ou uma cidade decadente da Região dos Lagos. No conjunto habitacional está acontecendo um show na rua para milhares de pessoas, a maioria jovens. Não consigo ver o palco. Estou lá atrás, onde a multidão já se dispersa. Andando de bicicleta, um menino de seus 14 anos acha uma pistola no chão, um revólver 38, e começa a atirar para o alto. Pedala em círculos, atira e ri. Ninguém se abala. Meu pai aparece no portão para ver o que está acontecendo. Estamos os dois de vestidos de branco (eu de calça e ele de bermuda). Decido avisar à produção do show, feita por um amigo, sobre o que está acontecendo (os tiros na rua). Encontro-o no caminho, e ele resmunga dos piercings que acabou de pôr nos dois mamilos: “Droga! Estão doendo, e eu queria uma corrente unindo os dois”.
Ele some e eu volto a procurá-lo. Entro num jogo de túneis (como nos vestiários dos estádios) que vai dar nos camarins. Digo aos seguranças que procuro fulano, e eles me liberam. No caminho, ainda no túnel, há o portão de uma mansão, onde mora o maior empresário da noite carioca. Um grupo de entregadores de pizza quer entrar para mostrar a ele (o empresário) um número musical. Os seguranças liberam, e as motos entram. A entrada da casa também é um corredor, com paredes brancas luz fria como no resto dos túneis – só que estas são cobertas por desenhos feitos por crianças.
No fim do corredor há uma escada, dando no hall dos camarins. Subo e escuto a voz de um outro amigo, que ri e fala no celular.
