terça-feira, março 01, 2005
Cascudos em James Bond
(...) Estou sentado em um auditório pequeno na expectativa do início de alguma palestra, ao lado de meu pai. O auditório parece com aquele do MAM, mas as poltronas são de couro avermelhado. Não estou nem à frente nem ao fundo. Estou próximo ao centro e à esquerda na platéia. Entre os presentes, mas afastados de mim estão meus ex-colegas de atelier. Enquanto a apresentação não começa noto que um sujeito duas ou três fileiras atrás e um pouco à minha direita começa a falar alguma coisa em tom provocador em direção a nós dois. Ele diz coisas dasabonadoras a respeito de meu pai. Diz que ele é um sujeito à toa, que não vale nada... Vai além e chama meu pai de mulherzinha. Eu viro e consigo enxergar entre as pessoas que o tal atrevido é o James Bond, o próprio 007, encarnado ali pelo Roger Moore. Ele está trajando um summer, aquele smoking branco com faixa e gravata borboleta, e continua a dizer desaforos, rindo e debochando sem parar. Eu levanto e o intimo a calar a boca. Ele continua os impropérios, porém. Então parto pra cima dele entre as poltronas. Ele some. Vejo que ele se arrasta sorrateiramente por entre as poltronas. Ele pretende me pegar pelo pé ou dar um bote traiçoeiro... Num instante eu o vejo e assim que ele passa eu aplico um forte cascudo em sua cabeça. Ele reclama do golpe mas some de novo. Nesta altura não há mais ninguém no auditório. Apenas nós dois, mas não consigo mais vê-lo. (...)