terça-feira, março 01, 2005

Buracos e Túneis

Meu pai e eu estamos no quintal da casa de um primo dele, fechando – com pás e enxadas – os buracos que um animal (cachorro ou coelho) vai fazendo. A cada buraco que tapamos, o bicho cava um novo, até que desiste e some, deixando que terminemos nosso trabalho. Vou lavar louça numa pia que fica na varanda de trás da casa, onde começa o quintal.
Saio da casa e agora estou na rua, que fica numa espécie de subúrbio com praia – ou uma cidade decadente da Região dos Lagos. No conjunto habitacional está acontecendo um show na rua para milhares de pessoas, a maioria jovens. Não consigo ver o palco. Estou lá atrás, onde a multidão já se dispersa. Andando de bicicleta, um menino de seus 14 anos acha uma pistola no chão, um revólver 38, e começa a atirar para o alto. Pedala em círculos, atira e ri. Ninguém se abala. Meu pai aparece no portão para ver o que está acontecendo. Estamos os dois de vestidos de branco (eu de calça e ele de bermuda). Decido avisar à produção do show, feita por um amigo, sobre o que está acontecendo (os tiros na rua). Encontro-o no caminho, e ele resmunga dos piercings que acabou de pôr nos dois mamilos: “Droga! Estão doendo, e eu queria uma corrente unindo os dois”.
Ele some e eu volto a procurá-lo. Entro num jogo de túneis (como nos vestiários dos estádios) que vai dar nos camarins. Digo aos seguranças que procuro fulano, e eles me liberam. No caminho, ainda no túnel, há o portão de uma mansão, onde mora o maior empresário da noite carioca. Um grupo de entregadores de pizza quer entrar para mostrar a ele (o empresário) um número musical. Os seguranças liberam, e as motos entram. A entrada da casa também é um corredor, com paredes brancas luz fria como no resto dos túneis – só que estas são cobertas por desenhos feitos por crianças.
No fim do corredor há uma escada, dando no hall dos camarins. Subo e escuto a voz de um outro amigo, que ri e fala no celular.