terça-feira, março 01, 2005

Galinhas baianas

(18/19-01-2005) Estou viajando pelo litoral da Bahia. Não é uma Bahia ensolarada nem urbana, mas selvagem e cinzenta, típica dos invernos baianos. Viajo de carro em uma estrada no litoral com um grupo de pessoas, mas só me lembro de um amigo, imensamente gordo no sonho. Agora estou na praia olhando para um duna de areia, uma falésia, no pé da qual vejo este amigo, deitado de bruços, achatando e escondendo quase integralmente com o corpo obeso, uma menina pequena e delicada -- uma prostituta, eu pensei. Pareceu-me que aquilo era um grande feito. Na verdade toda a cena parece uma pintura. Não há movimento, está tudo parado: A falésia, meu amigo, a menina sob ele. Eu de fato pego a cena com as mãos. É uma pequena pintura agora nas minhas mãos. Então a pintura torna-se página de revista. A imagem citada agora está acima e à esquerda da página. À direita dela há um texto: Lorem ipsum dolor sit amet. Continuo a viajar e me deparo com um imenso declive de areia, com quase 90º de inclinação e 500 m de extensão até abaixo, à beira mar... Deslizo naquela encosta de areia que desemboca naquele turbilhão de águas. Vejo o fluxo e o refluxo das ondas como uma sequência de fotos aéreas feitas por satélite, semelhantes aos registros feitos do grande Tsunami na Ásia. Cair ali será fatal. Mas não há como sair da rampa. A velocidade aumenta a medida que deslizo. Consigo pular para uma borda e escapo da morte. Estamos de novo na estrada. Todos têm fome. Alguém sugere um lugar que vende galinhas vivas. Seguimos para este local. O estabelecimento fica numa casa antiga e chama-se Agro-Ace. Vejo isto num letreiro. Está repleto de galinhas vermelhas, amarelas e azuis, soltas, passeando. As galinhas fazem parte de alguma performance artística. Então eu e meu amigo começamos a discutir sobre o que vamos comer. Ele é ríspido e acabamos brigando. Eu aplico nele um soco, em câmera lenta. Olho para a minha mão direita e vejo nela um Band-aid nos dedos máximo e indicador.