Cor de café com leite
dois em pé. Entre a gente, uma janela (dessas de alumínio), fechada, através
da qual conversamos. "Ponha a mão no meu peito", ela me diz. Eu coloco.
"Não: sobre o meu peito", ela corrige, levantando a camisa e mostrando os
seios.
Minhas mãos e braços travam, ficam paralizadas, como nos sonhos em que
queremos gritar e correr mas não conseguimos (apesar disso, fico de pau duro
com aqueles peitos). "Viu?", eu falo pra ela. "É assim que acontece com
todos os meus desejos: não sei lidar com eles".
Ela então sai de onde está e vem para o meu lado. Segura as minhas mãos
e as olha, dizendo: "Você tem que aprender a mexer melhor com a vida..."
De uma panela, a mulher retira uma bola feita com uma espécie de massa,
quente e cor de café com leite. Parece aquelas bolas de látex que os
seringueiros fazem (tem o tamanho de um lençol embolado).
A mulher manipula aquilo um pouco, como massa de pão, e passa às minhas
mãos. Começo a brincar com a bola de massa, jogando-a de uma mão à outra,
enfiando nela os dedos, experimentando a textura, o calor, até deixar de
pensar em tudo: só existimos eu e o meu novo brinquedo.
"Agora tenta de novo", diz a mulher, já de volta ao outro lado da
janela, que agora está aberta. Ela tem um dos seios do lado de fora da
camisa. Largo a bola de massa e, lentamente, vou levando minha mão até ela,
toco-lhe o peito, aperto, corro o mamilo entre dois dedos.
Ela dá um passo atrás, ofegante e com os olhos fechados (está
excitada). "Viu só?", ela diz, enquanto sorri e abaixa a blusa.

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