Olha a bananosa em que a revista me colocou: o papa Bento 16 vem ao Brasil (vai ficar num lugar chamado "Vaticano" – acho que eles arrumam um Vaticano em todo lugar que vão) e eu fui convocado para entrevistá-lo. Será uma individual, mas eu terei apenas 15 segundos para falar com Sua Santidade. Aliás, agora eu estou no Google pesquisando pronomes de tratamento para falar com ele – oras, eu chamo o papa de quê? De "Sua Santidade" mesmo?
Outra coisa: será que eu serei obrigado pelo protocolo a me ajoelhar e beijar o anel papal, mesmo não sendo católico? Essa possibilidade me deixa desconfortável.
(alguém usou o meu computador e acessou o Google na versão em chinês, ou árabe, e agora eu não consigo trocar pelo alfabeto que eu entendo, olha só que bosta!)
Falar sobre o quê com o papa, e em 15 segundos? Alguém lê meus pensamentos e grita do fundo da redação: "Fala de xenofobiaaaaa!!!!" Fico tentando lembrar de alguma passagem bíblica que fale da aversão ao estrangeiro, um gancho pra tocar no assunto. Que repórter de merda que eu sou...
Esse papa tem uma excentridade: só fala com gente vestida de papa. Me arrumaram uma fantasia papal ridícula, dessas que vêm prontas, um kit da Casa Turuna (tem solidéu e tudo). Tô mais parecido com um enfermeiro que com o Santo Padre.
Olho pro relógio: estou atrasado pra entrevista. Desço correndo (só então eu percebo que estou em São Paulo), faço sinal prum táxi, entro e grito pro motorista:
TOCA RÁPIDO PRO VATICANO!!!