O amigo vai casar. Alguns familiares e uns poucos camaradas estão acampados no Vale da Morte, onde vai ser realizada a cerimônia.
Mas não é o Vale da Morte californiano.
É um outro, um vale qualquer numa cidadezinha qualquer no sul (acho que é isso) do Brasil. Faz muito frio e tudo à nossa volta está coberto por um denso nevoeiro (difícil arriscar que horas são).
Próximo de onde estamos acampados há uma pousada. É lá que vamos tomar banho. Cobram caro os malandros: R$ 1 por minuto de chuveiro quente.
Acho um absurdo, mas compro R$ 10 de banho, que acabam logo (sou avisado por uma porrada de água gelada nas costas que me deixa ainda mais puto).
O banheiro é enorme: além do chuveiro (na verdade são três duchas que se cruzam a dois metros do chão, num box grande em que daria pra fazer uma festinha), há holofotes e um moderno sistema de som por toda parte (enrolado na toalha, tô tentando sintonizar algo que preste nas rádios oferecidas).
– Na verdade isso aqui é um estúdio de fotografia – me explica um funcionário da pousada.
Meu amigo (o noivo) me convoca para uma missão: ele quer comprar um cachorro. Entra numa casa ao lado da pousada e sai com um filhote (cocker? labrador? que porra é essa?) de pêlo castanho.
Rindo, pergunto a ele: "Cara, ou você casa ou compra um cachorro, né?"