Beijo-a meio que à força, mas ela acaba cedendo quando nossas línguas se juntam. Ela é doce e serena, bem diferente da imagem que criou pra si mesma em seus livros e escritos. Entramos na casa e começamos a trepar no sofá da sala. Ela não é mais ela, mas uma outra que não vejo mais. “A boa foda, como nos velhos tempos...”, eu penso. Somos interrompidos por alguém que desce as escadas. Começamos a nos vestir com pressa. É o meu pai. Vem me apresentar um amigo gringo e me pede um favor: que eu escreva umas 20 linhas pro cara explicando pra ele o que é o chá-chá-chá (o gringo vai precisar desse “glossário” pra uma ilustração que vai publicar numa revista européia). Os dois saem da sala, e eu fico em dúvida: “Chá-chá-chá, xaxaxá ou tcha-tcha-tcha?” Ela me dá um beijinho. “Merda, odeio ser interrompido desse jeito”, digo. “Saudade de morar sozinho...” Ela ri e me mostra um pager: “Usava isso aqui quando dividia apê com fulana. Quem chegasse em casa primeiro acompanhada avisava a outra”, e começou a falar de suas aventuras sexuais e as da amiga (que sossegou depois de encontrar uma bailarina por quem se apaixonou).

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