(1) Andando na rua, procuro não sei o quê no bolso da calça quando encontro um punhado de pequenas pedrinhas transparentes. "São diamantes", me diz uma mulher, que pára pra conversar comigo. Ela me arrasta até uma loja, pede que eu coloque as pedras sobre o balcão e começa a avaliá-las contra a luz. "Posso te pagar US$ 30 mil por elas. Valem mais, só que você vai ter problemas pra vendê-las por aí..." Pego o cartão dela e digo que vou ligar depois. Olho os classificados. "Quanto custa um apê em Copacabana?", eu penso. "Por quanto eu vou querer negociar esses diamantes, mesmo correndo riscos?"
(2) Minha mãe dizendo que detesta as almofadas do sofá da sala. Pede que eu dê cabo delas. Não penso duas vezes: levo tudo pro pátio do prédio e explodo as almofadas.
(3) Cheguei aqui no banco de trás do carro de um homem que veio cobrar uma dívida de bois com um fazendeiro. Estrada de terra, cu do mundo, nem sei como isso começou, como peguei essa carona. O cara estaciona o carro ao lado da porteira e entra. Fico esperando na estrada vazia, do lado de fora da fazenda. Um cabrtinho preso a uma árvore por uma corda começa a gritar. Me ajoelho para acarinhá-lo, ele se acalma. Estranho como o cabritinho fica hipnotizado pelo ir e vir das formigas no caule da árvore. Ele tem uns olhos grandes e amarelados.