terça-feira, dezembro 27, 2005

Sinead O'Connor e os leões

Estou no campo e encontro com ela. Totalmente careca, meio baixinha e aqueles grandes olhos azuis melancólicos, ela me vê e canta: "I can eat my dinner in a fancy restaurant, but nothing, I said nothing can take away these blues `cause nothing compares..." etc. Seguimos andando pelo campo e acabamos subindo por uma encosta íngreme, como se fosse uma imensa embalagem de ovos, de pé, na vertical, feita de cimento, com aquelas corcovas. Surgem então leões e leoas, agressivos, urrando, por entre aquelas cavidades, descendo alguns, subindo outros. Eles nos cercam enquanto rugem. Corro em direção ao solo e caio em um labirinto feito de madeirite - aqueles tapumes de obra de cor magenta. Os leões descem e surgem pelos corredores do labirinto. Quando eu os encaro, eles param, como estátuas, mas se tento fugir, eles avançam...